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Introdução

As osteocondroses são um conjunto de condições idiopáticas e auto limitadas caracterizadas por um distúrbio na ossificação encondral que atingem os núcleos ósseos em desenvolvimento nas epífises e apófises.

A maioria dos casos aparece na infância e na adolescência e esta relacionada aos surtos de crescimento e a períodos de alterações hormonais. Nesta altura existe um desequilíbrio entre o crescimento do osso e o crescimento do músculo com um aumento da tracção nas inserções tendinosas.

Sinais e sintomas

A manifestação é caracterizada por dor do tipo mecânico, durante ou após a actividade física. Existem muitos tipos diferentes.

Doença de Panner

Osteocondrose que afecta o côndilo externo do cotovelo mais frequente no braço dominante. O tratamento passa pela redução das actividades que sobre carregam o cotovelo.

Doença de Scheuermann 

Clinicamente caracterizada por curvatura acentuada na coluna dorsal associada a deformidades compensatórias (posicionamento anterior dos ombros, protusão abdominal e acentuação da lordose lombar) tendo início entre os 10 e 18 anos de idade, pode manifestar-se com dor e fadiga fácil. Radiograficamente encontra-se deformidades dos corpos vertebrais em cunha com estreitamento dos discos e existência de nódulos de Schmorl.

Doença de Legg-Calvé-Perthes

Definida como necrose avascular idiopática (parcial ou total) da cabeça femoral ocorre em ambos sexos (5M : 1F) nas idades entre os 3 e 12 anos, sendo bilateral em 15% dos casos. A idade óssea é retardada em quase 90% dos casos. Tanto meninos como meninas têm uma tendência para baixa estatura.

A clínica é caracterizada por marcha claudicante, dor na face anterior da coxa e joelho e limitação de movimentos articulares.

O prognóstico é tanto pior quanto mais tardio o aparecimento dos sintomas. O tratamento sintomático (repouso, canadianas, tracção) tem como objectivo manter a mobilidade articular e a contenção da cabeça femoral. As osteotomias são restritas aos casos mais severos. Existem classificações diferentes, tais como a de Caterral e Salter Thompson.

Doença de Blount

Na doença de Blount existe uma lesão da fise na parte interna proximal da tíbia de qual resulta um crescimento anormal. A frequência é maior nas crianças obesas, de baixa estatura e que tem início precoce da marcha, sendo a idade de iniciou entre 1 a 8 anos de idade. Observa-se um desvio assintomático do joelho em varo na parte superior da tíbia com instabilidade tardia. Dependente do estadio pode ser necessária uma correcção cirúrgica.

Osgood-Schlatter/ Sinding-Larson-Johansson  

Osteocondrose de tracção da tuberosidade anterior da tíbia/ do polo inferior da rotula de carácter benigno, transitório e autolimitado que é mais frequente no sexo masculino (3:1) com início na adolescência entre os 10 a 16 anos. Mais afectados são adolescentes ativos e/ou atletas.

Carateristico é a dor localizada sobre a TAT/polo inferior da rotula e à flexão máxima da perna. A duração dos sintomas pode ser de semanas a anos. Radiográficamente encontra-se uma irregularidade e fragmentação. O tratamento passa por restrição da actividade física e ortoteses.

Doença de Sever

Classificada como osteocondrose não-articular de sobrecarga afecta o calcâneo sem preferência de sexo nas idades entre os 8 e 15 anos. Em mais de 60% é bilateral.

O exame radiográfico pode ser normal, com alterações inespecíficas ou demonstrar uma esclerose e fragmentação da apófise calcânea.

Os sintomas cedem mediante descarga, talonetes de silicone e elevação do salto do sapato acompanhado por redução da actividade física.

Doença de Köhler 

A osteocondrite do Os naviculare afecta crianças após o início da marcha (< 6 anos) e é mais frequente em rapazes (4:1). Clinicamente existe dor local à palpação e ao movimento. Imagiologicamente existe uma fragmentação e esclerose do naviculare com aplanamento do mesmo. O tratamento é principalmente simptomático com suspenção da carga e calçados com palmilhas. A evolução e favorável.

Freiberg-Köhler (Köhler II)

Trata-se de uma osteocondrose que afecta os metatarsos II a IV com uma incidência 4 vezes maior no sexo feminino nas idades entre os 8 e 18 anos. Como causa são discutidos microtraumatismos de repetição que levam a pequenas fracturas e comprometimento do aporte vascular à cabeça metatarsiana.

Clinicamente existe uma metatarsalgia que piora com a marcha e a actividade física. O tratamento passa por alívio da pressão local por exemplo com palmilhas ou se necessário cirurgicamente.

O que fazer

Se a sua filha / o seu filho tem dor recorrente ou persistente deve ser observado por um profissional de saúde. Este ira observar o local da dor e dependente da clínica será encaminhado para ser observado por um ortopedista infantil.

Tratamento

O tratamento depende do diagnóstico. Os princípios terapêuticos passam por identificação das causas e minimizá-las, aliviar a tensão muscular (alongamento muscular, ortoteses - palmilhas, joelheira, banda), restrição da actividade física, analgesia/antiinflamatorio, físioterapia, cirurgia em SOS. 

Evolução / Prognóstico

As osteocondroses são lesões frequentes na criança e no adolescente que estão relacionadas aos surtos de crescimento e a períodos de alterações hormonais.

O tratamento é principalmente conservador. Mesmo sendo uma patologia que normalmente é bem controlável é preciso levar os sinais de alerta a sério, as complicações podem ser graves.

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