Menu

    Introdução

    A amamentação pode não ser uma tarefa fácil, mesmo em tempos de paz e tranquilidade. Durante períodos de guerra ou instabilidade social marcada, perante epidemias ou desastres naturais, as dificuldades com o início e manutenção da amamentação são ainda mais marcadas. 

    Por outro lado, as crianças mais jovens são as mais vulneráveis, podendo a mortalidade aumentar nestas circunstâncias 20 a 70% em pouco tempo, particularmente se as práticas de alimentação não são as mais corretas.

    A UNICEF (United Nations Children´s Fund) e a OMS (Organização Mundial de Saúde) emitiram em Abril de 2018 um documento sobre a amamentação em situações de emergência, do qual aqui se faz a súmula.

    1) A amamentação é a fonte alimentar mais segura, nutritiva e confiável para crianças até aos 6 meses de idade.

    O leite materno está sempre à temperatura certa, não necessita de preparação. Continua a oferecer os mesmos benefícios mesmo depois dos 6 meses e quando a criança já come alimentos sólidos. É também a melhor forma de providenciar calor e conforto.

    2) A amamentação diminui o risco de infecção e doença, mesmo em ambientes sem água potável e com más condições de higiene.

    O leite materno contém defesas que protegem contra infecções e ajuda a combater as infeções em curso. Esta proteção é particularmente vital em situações de emergência. A preparação dos leites artificiais num ambiente sem água potável ou eletricidade aumenta substancialmente o risco de infecção para as crianças.

    3) As mães necessitam ainda de mais apoio durante as emergências.

    Existe um conceito errado que em situações de ansiedade as mulheres não podem amamentar. Com o apoio adequado, todas as mulheres podem amamentar. Este apoio inclui privacidade e espaço (ex: tendas para mães e bebés), apoio psicológico, auxílio com o posicionamento e a pega. No local devem estar pessoas capacitadas para fornecer este tipo de apoio, se possível consultores de lactação. Pode ser necessário também ajudar mães a relactar, ou seja voltar a produzir leite. É um processo mais moroso, mas ainda assim, possível.

    Para algumas mães a amamentação pode ser normalizadora e redutora da ansiedade. As necessidades nutricionais acrescidas das mães a amamentar devem ser tidas em conta (estima-se que idealmente cerca de 500 calorias extra), no entanto, não é uma nutrição mais pobre que vai colocar em perigo a amamentação ou a vida do bebé.

    4) A necessidade de substitutos do leite materno em situações de risco humanitário deve ser rigorosamente avaliada, por pessoal habilitado e livre de interesses comerciais.

    O uso de leite artificial apenas deve ser encarado quando todas as outras opções foram descartadas. Nesse caso deve ser sempre comprado e não doado. A breve prazo essas doações desreguladas vão minar o aleitamento materno. A longo prazo as mães que as usaram enquanto elas foram oferecidas, não vão poder continuar a comprá-las, acabando por optar por soluções mais económicas, mas menos adequadas e perigosas para a saúde.

    Nos casos em que existam doações de leite substituto ou equipamentos de alimentação eles devem ser geridos pela agência encarregue de coordenar o auxílio às populações em crise.

    5) A preparação é a chave para assegurar que em todo o lado os bebés têm a oportunidade de sobreviver e crescer.

    O reforço dos sistemas e capacidades de apoio à amamentação são cruciais na preparação para emergências. Em todos os países devem existir políticas, programas e ações de apoio ao aleitamento materno, que incluam situações de possível emergência, das quais nenhum país se encontra isento.

    Dicas práticas que podem ajudar as mães a iniciar ou manter a produção de leite:

    • Identificar grávidas e mães com bebés pequenos e providenciar alojamento adequado para eles.
    • Após o parto - Contacto pele com pele, até à primeira mamada e depois disso, sempre que possível. Melhora não só o sucesso do aleitamento materno como ajuda na regulação de uma série de funções vitais do bebé (frequência cardíaca, temperatura, glicemia).
    • Para todas as mães - Amamentar em livre demanda, ou seja, oferecer mama sempre que o bebé mostra os primeiros sinais de fome (virar a face para um lado e para outro, deitar a língua de fora, fazer sucção na mão) e durante o tempo que este quiser, independentemente do intervalo entre cada mamada. Pode oferecer-se 1 ou ambas as mamas em cada refeição e se for preciso, pode ainda voltar a oferecer-se a primeira mama.
    • Avaliar a pega – o bebé deve colocar para além do mamilo uma parte da aréola na boca: 
      • Devemos esperar pela altura em que a boca está bem aberta para o trazer à mama.
      • Os lábios devem estar virados para fora.
      • O bebé deve estar assimétrico na mama, isto é, o queixo deve estar completamente encostado à mama, o nariz deve estar livre e o pescoço em ligeira extensão.
      • A mãe deve estar confortável, sem dor. Amamentar não provoca dor nem feridas nos mamilos.
      • Os movimentos da mandibula do bebé devem ser amplos, correspondendo a deglutições de leite.
      • Por vezes ajuda espalmar-se ligeiramente a mama quando o bebé está a fazer a pega (como se comprime uma sanduíche maior do que a nossa boca).
      • Para melhor compreensão sugerimos o seguinte vídeo: https://youtu.be/wjt-Ashodw8
    • Aumentar a transferência de leite da mama para o bebé – para além da pega o mais profunda possível, ao longo da mamada podem fazer-se compressões mamárias. Estas devem ser feitas longe da boca do bebé para não interferir com o vácuo da pega, colocando o dedo indicador e polegar em forma de C e devem ser feitas de forma contínua. São muito úteis para os bebés que adormecem frequentemente a mamar e devem ir abrangendo todos os quadrantes da mama. Servem para ajudar o leite a fluir para o bebé.
    • Nos casos em que os bebés não possam mamar directamente da mama (prematuridade limiar, baixo peso) deve ensinar-se a mãe a extrair o leite manualmente para um recipiente limpo e oferecer ao bebé por copo ou colher.
    • Para saber efectuar extração manual sugerimos: https://www.youtube.com/watch?v=31Fw-XHQdwQ&feature=youtu.be
    • No caso das mães que precisam de fazer uma relactação, isto é, voltar a produzir leite ou aumentar a produção, deve fazer-se o anteriormente sugerido, e estimular a produção. Assim devem aproveitar-se todas as oportunidades para colocar o bebé a mamar, uma vez que este é o método mais eficaz para aumentar a produção de leite materno e, se possível, estimular a mama nos intervalos manualmente ou com bomba extractora, se houver disponível. 
    • Relativamente a este assunto sugerimos os seguintes vídeos: https://youtu.be/M_NLHiasZok e https://youtu.be/e6DRf5TqqRU.
    • Num ambiente onde a água potável e as condições de saneamento são escassas, o uso de leites artificiais é perigoso. Aos riscos de saúde inerentes ao seu consumo para mães e bebés, em qualquer circunstância, acrescem agora os perigos da sua preparação, conservação e administração. O leite artificial deve ser preparado com água fervida e deixada arrefecer até 70º por se tratar de um pó não estéril. Os biberões e tetinas devem estar limpos e esterilizados, sendo fáceis meios de desenvolvimento bacteriano. Após a sua preparação, tem uma duração tanto mais curta quanto mais quente a temperatura exterior. Em temperaturas amenas deve ser descartado ao fim de 2 horas de preparação.

    Por todos estes motivos o leite artificial aparece como quarta escolha na alimentação de um lactente, após o leite de mãe bebido directamente da mama, o leite de mãe extraído e dado por copo (mais fácil de higienizar) e o leite de outra mulher.

    Assim no caso de impossibilidade da mãe amamentar, poderá tentar-se encontrar uma mãe dadora dentro dos familiares e não só.

    Deseja sugerir alguma alteração para este artigo?
    Existe algum tema que queira ver na Pedipedia?

    Envie as suas sugestões

    Newsletter

    Receba notícias da Pedipedia no seu e-mail