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Introdução

Definição

Doença exantemática viral causada pelo vírus do sarampo (família dos Paramixovirus). É altamente transmissível em pessoas susceptíveis (p.e. não vacinados). A transmissão faz-se pelo contacto com secreções ou aerossóis emitidos por pessoas infectadas.

Frequência

Em Portugal, o sarampo foi considerado erradicado, embora continuem a surgir esporadicamente novos casos, quer pessoas que adquiriram a infecção em países endémicos, quer por transmissão em grupos não protegidos (não vacinados).

Sinais e sintomas

O sarampo transmite-se apenas pelo contacto com pessoas doentes. O período de incubação (tempo após exposição até aparecimento dos primeiros sintomas) pode ir até 21 dias.

Os primeiros sintomas antecedem entre dois a quatro dias o aparecimento do exantema (manchas na pele) e podem ser febre, mal-estar geral e anorexia, seguida por conjuntivite, rinite (corrimento nasal) e tosse.

O exantema envolve primeiro a face e posteriormente e sequencialmente o pescoço, tronco, abdómen e extremidades. As palmas e plantas raramente são afectadas pelo exantema. Durante esta fase as crianças apresentam febre elevada e agravamento da tosse e rinorreia.

Dois dias após o aparecimento do exantema, tipicamente assiste-se a uma melhoria progressiva dos sinais sistémicos (desaparecimento da febre, conjuntivite). O exantema pode persistir 6-7 dias, podendo a criança descamar nas zonas que apresentavam mais exantema. A tosse poderá persistir 1 a 2 semanas.

O que fazer

Se a criança apresenta febre e exantema e pelo menos um sintoma entre tosse, rinite ou conjuntivite e não tem duas doses de vacina anti sarampo deverá ser observada. Dada a contagiosidade do sarampo, deverá contactar por telefone o médico assistente ou linhas de apoio ao doente, sendo posteriormente orientado para observação.

Na suspeita de sarampo deverá evitar deslocar-se por conta própria para um serviço de urgência, pelo risco de poder transmitir a doença a todas as crianças na sala de espera.

O diagnóstico de sarampo é clínico, mas deverá ser confirmado por análises de sangue, urina e saliva.

A decisão de internamento depende dos sintomas e sinais da criança com sarampo. Nem todas as crianças necessitam de internamento hospitalar. Após a alta, se se confirmar sarampo, a criança deve permanecer em casa, sem contacto com pessoas susceptíveis por um período mínimo de 4 dias após o aparecimento do exantema.

O delegado de saúde da área será informado do caso suspeito e/ou confirmado de sarampo, procedendo à identificação dos contactos em risco de poderem vir a desenvolver sarampo. Tomará igualmente medidas no sentido de evitar esses novos casos, nomeadamente através da vacinação dos casos susceptíveis.

A recusa de vacinação após contacto com caso confirmado de sarampo, implica a permanência no domicílio por um período de 21 dias (período de incubação).

Tratamento

Não existe um tratamento dirigido ao sarampo.

O tratamento passa pelo tratamento dos sintomas. Se houver febre deverá  ser administrado um antipirético.

O tratamento com antibióticos está reservado para as situações em que existe suspeita de sobreinfecção bacteriana, como por exemplo otite e pneumonia bacteriana.

Evolução / Prognóstico

Apesar de erradicado em Portugal, graças à vacinação, o sarampo continua a ser, a nível mundial, uma das principais causas de morte em idade pediátrica. A taxa de mortalidade varia entre 4 a 10%, em países em desenvolvimento.

As complicações a curto prazo ocorrem em 30% dos casos de sarampo e  incluem pneumonia bacteriana (principal causa de morte nos casos de sarampo), encefalite, queratite, diarreia e otite.

Uma das complicações mais temidas a longo prazo é a encefalite subaguda necrotizante, doença neurodegenerativa, progressiva e invariavelmente fatal, que ocorre 7 a 10 anos após o episódio agudo de sarampo. Não existe tratamento eficaz.

Após recuperação de infecção, a criança desenvolve imunidade de longo prazo, pelo que não virá a ter novamente sarampo.

Prevenção / Recomendações

A principal forma de prevenir a infecção por sarampo consiste na vacinação. Esta vacina está incluída no Programa Nacional de Vacinação (VASPR efetuada aos 12 meses, com revacinação aos 5 anos), sendo gratuita para toda a população.

Apesar de polémicas recorrentes, muitas vezes alarmistas (p.e. associação a autismo, síndromes epilépticos) e com objectivos secundários pouco éticos, a vacina é considerada segura, após estudos de longa duração com um grande número de crianças seguidas a longo prazo.

As verdadeiras contra-indicações à vacinação são muito poucas (p.e. certos tipos de imunodeficiências). Convém relembrar que as vacinas estão incluídas nos medicamentos mais bem estudados de todos.

Em caso de dúvida deverá contactar o médico assistente. A recusa em vacinar, na ausência de contraindicação formal, deverá ter em conta o risco da criança adquirir sarampo (com toda a mortalidade e morbilidade associada) e o risco de transmitir a doença aos grupos não protegidos (p.e. crianças com contraindicação verdadeira para serem vacinadas e crianças com menos de 12 meses de idade).

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