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Introdução

Definição

A dermite atópica ou eczema atópico é uma doença inflamatória da pele, pruriginosa, de carácter crónico, tendência hereditária e de tipo alérgico. As crianças afectadas têm pele muito seca, sensível, e o prurido (comichão) é o sintoma dominante. A evolução é variável, mas na maioria dos casos há remissão na infância tardia.

Frequência

Nos países desenvolvidos afecta cerca de 15 a 20% das crianças. Em 60 % dos casos o início da doença ocorre no primeiro ano de vida , por via de regra, não antes dos três meses.

Causa

Desconhece-se a causa, mas sabe-se que é influenciada por factores genéticos, alérgicos, sendo determinante a alteração ao nível da camada córnea (camada mais superficial da pele), o que origina desidratação e secura constante da pele. Se existir história familiar de atopia (asma, rinite, eczema) há maior probabilidade de ter filhos que padeçam desta doença

Sinais e sintomas

Na fase aguda o prurido pode ser intenso e a pele está inflamada. Na fase crónica há espessamento da pele e colonização bacteriana, a qual contribui para o desencadeamento das crises. As lesões na pele surgem, habitualmente como manchas avermelhadas e/ou vesículas (pequenas lesões com conteúdo liquido), podendo ocasionalmente estar cobertas por crostas amareladas no caso de haver sobreinfeção.

As lesões podem surgir em diversas partes do corpo. Nos bebés (< 6 meses) é habitual a localização na face, poupando a área central. Nas crianças o envolvimento das pregas cutâneas - sangradouros (à frente dos cotovelos) e popliteias (atrás dos joelhos) - é muito comum, sendo regra a tendência para as lesões reaparecerem nas mesmas localizações, sempre que há recidiva.

Evolui com períodos de crise que alternam com períodos de melhoria. A duração é longa, embora benigna e não contagiosa.

Nas formas mais severas pode haver envolvimento de grandes áreas da superfície corporal, maior dificuldade no controlo das crises assim como tendência para evolução recidivante, com períodos curtos de remissão.

A dermite atópica complica-se frequentemente com infecções cutâneas bacterianas (impetigo) e virais (molusco contagioso) sendo habituais as reacções a picadas de insectos (estrófulo). 

O que fazer

Na fase aguda, a criança tem prurido marcado, distúrbios do sono, lesões de coceira disseminadas e, muitas vezes, infecção. Nestes casos torna-se necessária a observação pelo médico de família ou dermatologista para a prescrição de um agente anti-inflamatório e antibiótico durante um tempo limitado, para tratar a inflamação.

A criança deverá ser referenciada à consulta de Dermatologia quando houver dificuldade no diagnóstico, má resposta à terapêutica inicialmente instituída e nos casos mais severos em que a aplicação dos cremes não se tiver revelado eficaz.

Tratamento

A prevenção e o tratamento da dermite atópica têm como base os cuidados diários.

Higiene - Devem utilizar-se produtos de higiene suave sem sabão e sem perfume, enriquecidos com ácidos gordos essenciais. O banho diário deve ser curto, de 5 a 10 minutos, com água tépida, evitando o uso de esponjas ou luvas de banho. Após este deverá secar-se a pele de forma suave, dando pequenos toques sem esfregar com a toalha. As unhas dos pais e das crianças devem estar sempre cortadas e limpas para evitar lesões na pele.

Hidratação - A hidratação diária é fundamental para restabelecer a integridade da pele. Deverá ser aplicado um creme hidratante hipoalergénico depois do banho e, em caso de prurido intenso, não hesitar em reforçar várias vezes por dia. A hidratação é essencial para reduzir a frequência e intensidade dos períodos de crise.

Vestuário – Devem suprimir-se as peças de roupa com lã e sintéticos, como o nylon e acrílicos e optar por vestuário 100% algodão. Não se deve vestir em demasia a criança (para evitar a transpiração) e convém retirar etiquetas que possam roçar na pele. Na lavagem, deve enxaguar-se bem a roupa com água para retirar completamente os detergentes utilizados e convém evitar a utilização de amaciadores. Aconselha-se que a roupa da cama seja igualmente em algodão. Evite a flanela, colchões e almofadas em goma-espuma.

Ambiente - Evite o contacto da criança com objectos que acumulem muito pó (alcatifas, tapetes, colchões ou edredões de penas, bonecos de peluches) pois podem acumular ácaros, os quais poderão desencadear uma crise respiratória. Aspire a casa com regularidade para evitar a acumulação de ácaros. Não prive a criança do seu animal de estimação, a menos que esteja identificada uma alergia específica. Evite a exposição ao fumo do tabaco. Mantenha o quarto a uma temperatura moderada (19-20ºC) e areje-o regularmente.

Alimentação – Aconselhe-se com o pediatra ou médico de família do seu filho antes de qualquer modificação no regime alimentar. Evite a diversificação alimentar precoce. Regra geral não há necessidade de restrições alimentares, a menos que seja detectada alguma relação evidente com determinado alimento. Em algumas crianças os kiwis e o tomate podem provocar uma ligeira irritação na pele em redor dos lábios. Evite o marisco e frutos secos, em especial amendoins.

Actividade de Lazer – Sem motivo aparente não se deve excluir nenhum desporto ou actividade lúdica que possa dar prazer à criança. Os banhos em piscinas, apesar de não estarem contraindicados, podem desidratar muito a pele. É conveniente um duche imediatamente após a saída da piscina para eliminar os restos de cloro. Nos períodos de agudização da doença as actividades devem ser interrompidas até à remissão.

Vacinação - Recomenda-se que a vacinação seja feita fora das crises de eczema. De facto, estas crises são indicadoras de que a imunidade da criança está comprometida, podendo a vacina tornar-se menos eficaz nessas condições.

Recomendações aos Pais e Cuidadores nas crises

Quando as medidas acima recomendadas, incluindo a aplicação diária do hidratante, não são suficientes, é necessária a observação da criança pelo médico de família, pediatra ou dermatologista.

A criança tem indicação formal para ser referenciada à consulta de Dermatologia quando houver dificuldade no diagnóstico, má resposta à terapêutica inicialmente instituída e nos casos mais severos em que a aplicação dos cremes não se tiver revelado eficaz. Para estes casos existem alternativas terapêuticas, que incluem a fototerapia, corticoterapia sistémica e outros imunossupressores (ciclosporina, metotrexato), mas que devem estar restringidos a prescrição por médico especialista. 

Evolução / Prognóstico

O curso da doença é imprevisível: há crianças cuja doença entra em remissão na infância tardia, e outras que têm uma evolução com múltiplas recidivas, com remissão só na idade adulta. Finalmente algumas crianças desenvolvem a chamada marcha atópica da doença alérgica incluindo rinite, alergias e asma.

Prevenção / Recomendações

A prevenção e o tratamento da dermite atópica têm como base os cuidados diários.

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