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    Introdução

    O Ecocardiograma transtorácico é um exame que utiliza os ultrassons (sons tão agudos que não são audíveis para o ouvido humano) para criar imagens em tempo real do coração e vasos sanguíneos, bem como dos fluxos de sangue circulante. Estas imagens permitem que os profissionais de saúde habilitados, avaliem a estrutura do coração (permitindo, por exemplo, detectar se existe alguma malformação do coração) e a sua função.

    Porque é feito?

    O médico assistente pode solicitar um ecocardiograma transtorácico por vários motivos:

    • Auscultou um sopro cardíaco e pretende verificar se está tudo bem ou se existe alguma malformação (um motivo muito comum de realização de ecocardiograma);
    • Quando existem num recém-nascido sinais de doença cardíaca congénita como cianose (baixo conteúdo de oxigénio no sangue que se manifesta como uma cor arroxeada da língua e gengivas) ou insuficiência cardíaca (grande cansaço ao mamar, esforço excessivo na respiração mesmo em repouso, dificuldade em aumentar de peso);
    • Perante o diagnóstico de hipertensão arterial, para excluir causa cardíaca e avaliar se há alguma repercussão cardíaca da hipertensão (o mais comum é a hipertrofia ou aumento da espessura das paredes do ventrículo esquerdo);
    • Por rotina, num desportista de competição;
    • Para despistar manifestações cardíacas de outras doenças (como doença de Kawasaki);
    • Perante uma febre prolongada de origem indeterminada, para excluir origem cardíaca da febre;
    • Por existir história familiar pesada de doenças cardíacas hereditárias ou morte súbita;
    • Para avaliar a função miocardiaca perante queixas consistentes de cansaço fácil para pequenos esforços (que raramente se traduzem em doença cardíaca em idade pediátrica)

    Como é feito?

    O profissional de saúde especializado (médico ou técnico de cardiopneumologia) irá solicitar que dispa a criança da cintura para cima. Poderá ou não colar pequenos eléctrodos (autocolantes ligados a fios) para monitorizar o ritmo cardíaco. Irá de seguida aplicar um gel (muitas vezes fresco) e uma ‘sonda” (ou também chamada de “transdutor”) que quando encostada a locais específicos da pele da criança permitem à máquina (ecógrafo) gerar as imagens do coração. Habitualmente o profissional irá encostar o transdutor numa sequência de movimentos na parte superior da barriga, junto ao mamilo, junto ao bordo esquerdo do esterno e na transição entre o pescoço e o peito, na região chamada “supraesternal”. Pode, contudo, ser útil explorar outras áreas (chamadas janelas ecográficas) e espaços entre estas. Numa criança mais crescida poderá ser-lhe solicitado para se deitar de lado ou esticar o pescoço para trás em alguma parte do exame, sendo contudo a maioria do exame realizado de barriga para cima. As imagens geradas poderão mostrar as estruturas do coração em movimento em tempo real (imagens bidimensionais) ou mostrar apenas uma linha de imagem ao longo do tempo (imagens em modo M, sendo úteis para algumas medições e avaliação da função ventricular). Poderão também mostrar cor (habitualmente azul e vermelho) traduzindo o a velocidade e direção do movimento do sangue dentro do coração (imagens com Doppler-cor). Finalmente, podem ser obtidos gráficos para medição mais precisa da velocidade do movimento do sangue em determinado local, sendo que a sua obtenção muitas vezes se acompanha de um som (Doppler espectral). Após integração do todas as imagens obtidas, o profissional explica o que viu aos pais e elabora um relatório para o médico assistente.

    Como me devo preparar?

    Este exame não exige nenhuma preparação específica. Contudo, a qualidade das imagens obtidas neste exame (e como tal a facilidade com que os profissionais de saúde conseguem tirar conclusões) são muito variáveis de criança para criança. A obtenção de imagens de boa qualidade pode ser bastante difícil em algumas crianças (devido a obesidade ou baixo peso, presença de doenças respiratórias, cirurgias prévias, alterações do formato do peito, entre outras), sendo a colaboração das mesmas essencial. Em regra, a criança deve estar calma para permitir visualizar convenientemente todas as estruturas do coração, sendo o papel dos pais essencial para a realização com naturalidade deste exame indolor e não invasivo. A alimentação imediatamente antes do exame pode interferir com a obtenção de imagens no cimo da barriga, embora seja uma dificuldade mais contornável que uma criança a chorar com fome. Para facilitar a realização deste exame, os pais deverão trazer com a criança a sua chupeta, o principal boneco de estimação, ou outro objecto que lhe agrade muito e ajude a tranquilizar ou distrair.

    Quais são os inconvenientes?

    Para além do tempo dispendido, este exame não tem quaisquer inconvenientes, sendo totalmente inócuo e indolor.

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