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    Introdução

    Quando iniciar a diversificação alimentar (DA):

    O aleitamento materno exclusivo (AME) deve ser promovido por pelo menos 4 meses e como um objectivo desejável durante 6 meses. A diversificação alimentar não deve ser introduzida antes dos 4 meses mas também não deve ser protelada após os 6 meses.

    O AME fornecido por uma mãe saudável é capaz de oferecer os nutrientes necessários a um lactente de termo por aproximadamente 6 meses, embora esta regra não se aplique a todos os casos. Alguns lactentes podem precisar de uma suplementação de ferro antes dos 6 meses.

    Por volta dos 4 meses, as funções gastrointestinais e renais de um lactente de termo estão suficientemente maturas para permitir processar os alimentos da diversificação alimentar (DA). A partir dos 4-6 meses, estes os lactentes adquirem as funções motoras necessárias para conseguirem lidar com os novos alimentos de forma segura.

    É importante, sob ponto de vista de desenvolvimento e nureicional, que sejam oferecidos o tipo de alimentos e a consistência adequados à faixa etária e ao nível de desenvolvimento. O aleitamento materno (AM) deve ser mantido durante a DA.

    O AME mais prolongado pode estar associado a um risco reduzido de infecções gastrointestinais e respiratórias e a hospitalizações por infecção.

    Parece existir um risco acrescido de alergia se os alimentos sólidos forem introduzidos antes dos 3-4 meses de idade. Apesar disso, não existe evidência científica de que atrasar a introdução de alimentos alergénicos reduza o risco de alergia, quer nos lactentes da população geral como nos que têm antecedentes familiares de atopia.

    Aos 6 meses todos os alimentos devem ser introduzidos, incluindo o glúten, excluindo apenas alimentos que podem asfixiar o lactente.

    Os lactentes com alto risco de alergia ao amendoim (eczema severo, alergia ao ovo ou ambos) devem introduzir o amendoim entre os 4 e os 11 meses, sob acompanhamento de um profissional.

    A introdução da diversificação alimentar aos 4 ou aos 6 meses não influencia o crescimento ou a adiposidade durante a infância, embora a introdução antes dos 4 meses possa estar associado a um aumento da adiposidade em idades mais tardias.

    Conteúdo da dieta na diversificação alimentar

    O glúten pode ser introduzido assim que a DA é iniciada, em qualquer altura entre os 4-12 meses de idade. O consumo de grandes quantidades de glúten deve ser evitado nas primeiras semanas após a sua introdução e mesmo durante toda a infância.

    Nem a amamentação por si só nem a amamentação durante a introdução do glúten reduz o risco de Doença Celíaca (DC).

    A introdução de glúten após os 3 meses ou a amamentação durante a introdução de glúten não influenciam o risco de Diabetes mellitus tipo 1 (DM tipo 1).

    Um consumo proteico excessivo durante a DA pode aumentar o risco de excesso de peso ou obesidade, principalmente nos indivíduos predispostos, pelo que a quantidade de energia fornecida pelas proteínas na dieta nunca deve exceder os 15%.

    Os lactentes que mantêm leite de fórmula com baixo teor proteico ao longo dos primeiros 12 meses de vida têm valores de IMC mais baixos e um risco reduzido de obesidade em comparação com as crianças que foram alimentadas com fórmulas com valores mais elevados de proteínas.

    O leite de vaca (LV) não deve ser consumido antes dos 12 meses. O consumo de grandes quantidades de LV está associado a grande aporte energético, de proteínas e gordura e a um aporte diminuído de ferro.

    As necessidades de ferro são elevadas durante a fase de DA, pelo que há necessidade de consumo de alimentos ricos em ferro, particularmente nos lactentes sob AM.

    Não é possível alterar as preferências inatas dos lactentes pelos sabores salgado e doce e o seu desagrado pelo sabor amargo, mas os pais e cuidadores podem modificar as suas preferências oferecendo diferentes alimentos sem sal ou açúcar adicionados, e introduzindo alimentos com sabor amargo desde o início da DA.

    As dietas vegan com suplementação apropriada podem manter um desenvolvimento e crescimento normais, mas só devem ser mantidas se houver uma supervisão médica e dietética regular. As consequências do não cumprimento destes cuidados podem ser seveeras severas, entre  as quais se destacam o dano cognitivo irreversível e até a morte.

    O mel não deve ser introduzido até aos 12 meses de idade.

    Métodos de alimentação

    Não existem conclusões suficientes acerca do melhor método de alimentação, através de um adulto e pela colher ou através da auto-alimentação. Apesar disso, os pais devem ser encorajados a adoptar um estilo parental a compreender e a interpretar os sinais de fome e saciedade dos lactentes. A alimentação para conforto ou como recompensa deve ser desencorajada.

    O consumo prolongado de alimentos com consistência de puré deve ser desencorajado e os lactentes devem iniciar alimentos de consistência grumosa pelos 8-10 meses.

    A partir dos 9 meses, a maioria dos lactentes são capazes de se alimentar sozinhos, beber de um copo com as duas mãos e ingerir alimentos da dieta familiar com pequenas adaptações (cortada em pedaços mais pequenos e pela colher). Existem dados que sugerem que a falha da introdução de alimentados progressivamente mais grumosos pelos 9-10 meses está associada a um aumento do risco de aparecimento de dificuldades alimentares e ingestão inadequada de alguns grupos alimentares como frutas e vegetais.

    Aos 12 meses já devem ser capazes de beber por um copo, em vez de pela garrafa.

    A ingestão de açúcar é o factor de risco dietético mais importante para a formação de cáries dentárias. Deve-se evitar o consumo de sumos ou outras bebidas açucaradas, desencorajar o hábito de dormir com uma garrafa por perto, limitar o uso de alimentos cariogénicos às refeições e estabelecer uma boa higiene oral assim que acontece a erupção do primeiro dente.

    Adaptado, sob licença, do Comité de Nutrição da Sociedade Europeia de Gastroenterologia, Hepatologia e Nutrição Pediátrica

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