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Introdução

Definição

Infecção causada pela bactéria Mycobacterium ulcerans.

Epidemiologia

A doença é endémica nalguns países da África, Central e Ocidental, do Sudeste asiático e, na Austrália.

Existem alguns focos na América latina.

A infecção ocorre principalmente nas crianças e nos jovens mas qualquer faixa etária pode ser atingida.

A micobactéria, com habitat no solo, extensões de água pouco profundas e lamacentas, vegetação e certos insectos aquáticos, penetra no corpo humano através de lesões cutâneas por vezes imperceptíveis. No interior do corpo produz a exotoxina micolactona, responsável pela necrose dos tecidos e pela diminuição da imunidade.

O período de incubação é, geralmente, de 2 a 3 meses.

História Clínica

Anamnese e exame objectivo

A doença manifesta-se, na sua fase inicial, por lesões cutâneas indolores - nódulos subcutâneos firmes, placas duras ou edematosas, e pápulas. Os membros são geralmente as partes do corpo mais atingidas. Raramente a face ou o tronco. As referidas lesões iniciais podem evoluir para extensas úlceras, de margem irregular devido ao intenso edema que as circunda. As úlceras podem alastrar-se e afectar todo o membro. Pode ocorrer osteomielite.

Diagnóstico Diferencial

  • Celulites provocadas por estreptococos ou estafilococos
  • Pioderma gangrenosum
  • Noma - quando a lesão se localiza na face
  • Antrax cutâneo
  • Úlceras fagedénicas tropicais
  • Úlceras crónicas da diabetes e da insuficiência venosa ou arterial
  • Leishmaniose cutânea
  • Hemophilus ducrei
  • Osteomielite por outras causas

Exames Complementares

Patologia clínica

  • Análise do contexto clínico e epidemiológico: nas regiões endémicas é suficiente, em muitos casos, para o diagnóstico por profissionais que conhecem bem a doença.
  • Pesquisa de bacilo ácido-álcool resistente no exsudado da lesão ulcerosa – a negatividade não exclui o diagnóstico.
  • Cultura do exsudado da úlcera, para pesquisa de Mycobacterium ulcerans.
  • Exame de amostra de biopsia cutânea – a biopsia deve ser por incisão.
  • PCR (polymerase chain reaction).

Tratamento

O tratamento médico deve ser iniciado precocemente, podendo vir a ser complementado com tratamento cirúrgico e medicina de reabilitação.

Tratamento médico

Pode instituir-se uma antibioterapia tripla ou dupla.

Antibioterapia tripla inclui:

  • rifampicina, via oral – 10 mg / kg (máximo 600 mg / dia), 1 x / dia, 8 semanas
  • estreptomicina, i.m. – 15 mg / kg (máximo 1 g / dia), 1 x / dia, 4 semanas       
  • claritromicina, via oral – 15 mg / kg / dia (máximo 1 g / dia), 12 / 12h, 4 semanas

A antibioterapia dupla inclui:

  • rifampicina, via oral – 10 mg / kg (máximo 600 mg / dia), 1 x / dia, 8 semanas
  • claritromicina, via oral – 15 mg / kg / dia (máximo 1 g / dia), 12 / 12h, 8 semanas

Cirurgia

Tratamento cirúrgico inclui o desbridamento das feridas e enxerto cutâneo, como forma de acelerar a cura da úlcera, minimizar as deformidades e incapacidades e diminuir o tempo de internamento.

Medicina de Reabilitação

Quando precocemente instituída reduz as incapacidades ou deformidades.

Evolução

Pode haver cura espontânea que deixa contracturas e cicatrizes.

O tratamento, correcto e precoce - médico, cirúrgico e de reabilitação - cura e previne as deformidades e incapacidades.

Podem surgir Infecções secundárias, como tétano e septicemia bacteriana, que podem resultar em morte.

Sem tratamento a úlcera pode alastrar rapidamente e envolver completamente o membro atingido.

Os ossos podem ser infectados dando origem a osteomielite.

Recomendações

Protecção das zonas do corpo expostas - uso de camisas de mangas compridas e de calças por trabalhadores agrícolas e da pecuária e por pessoas que circulem nas zonas endémicas. Estas medidas podem evitar a entrada da bactéria através das lesões cutâneas, que podem ser mínimas e imperceptíveis.

Vacinação BCG: pode, por um período que pode ir até os 12 meses, evitar o alastramento da úlcera provocada pela bactéria Mycobacterium ulcerans.

Bibliografia

  1. Davidson R, Brent A, Seale A. Tropical Medicine 4th edition. Oxford University Press, 2017.
  2. Kwan-Gett TSC, Kemp C, Kovarik C. Infectious and Tropical Diseases 1th edition. Mosby Elsevier, 2006.

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