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Introdução

A gaguez, é uma perturbação da fluência, onde se observa uma quebra na continuidade, suavidade, débito e/ou esforço no discurso.

Frequência

Aparece em cerca de 20% das crianças, em idade pré-escolar e afeta cerca de 0,72% da população, nas restantes faixas etárias.

Causa

Apresenta uma causa multifatorial, com fatores genéticos e neurofisiológicos que interagem com fatores ambientais e temperamentais do individuo, que podem potenciar o desenvolvimento da gaguez, a atenuação dos sintomas ou a sua remissão espontânea.

Sinais e sintomas

A gaguez começa tipicamente entre os 2,5 e os 4 anos de idade. Existem comportamentos que são facilmente observáveis ou audíveis pelo interlocutor, tais como repetições de sons e sílabas, bloqueios, prolongamentos e palavras partidas.

Por vezes, pode ainda observar-se tensão física, alterações no débito da fala, e comportamentos secundários, que englobam movimentos da cabeça, das extremidades, entre outros.

Contudo, a gaguez engloba muito mais do que exclusivamente as quebras na fluência, sendo estas, frequentemente, acompanhadas de sentimentos de perda de controlo, atitudes e pensamentos negativos, em relação a si próprio e à sua fala. Mesmo as crianças mais pequenas podem não saber exatamente o que é gaguejar, mas muito cedo têm consciência de que alguma coisa de errado se passa com a sua fala.

Existe uma variabilidade intrínseca à gaguez. O que significa que num dia a criança pode estar a gaguejar muito e no outro pode estar, aparentemente, fluente.

Esta variabilidade não tem necessariamente a ver com o facto de a criança estar mais ou menos nervosa. A ansiedade poderá ser uma consequência da gaguez, mas não é a sua causa.

O que fazer

Quando a criança começa a gaguejar deverá ser encaminhada para o terapeuta da fala. Antes de realizar esta avaliação, é importante que as pessoas mais próximas adotem uma comunicação descontraída, utilizando pausas frequentes no seu discurso e menor número de perguntas (podem por fazer mais comentários, uma vez que estes criam menor pressão comunicativa).

Não devem ser fornecidos conselhos como: “respira”; “tem calma” ou “fala mais devagar”, pois podem deixar a criança ainda mais frustrada, por não conseguir que as palavras saiam de forma fluente e sem esforço.

Tratamento

O Terapeuta da Fala realizará uma avaliação e entrevista clínica de forma a analisar a pertinência de intervenção terapêutica, de acordo com a presença de fatores de risco para a cronicidade da gaguez.

Existem diversas abordagens terapêuticas que poderão ser selecionadas, tendo em conta a idade, gravidade e impacto que a gaguez tem na vida da criança e dos seus familiares.

A intervenção poderá ser realizada de forma direta, com sessões de acompanhamento à própria criança, e/ou de forma indireta, através de sessões de acompanhamento à família, educadores de infância, professores e outras pessoas relevantes, de forma a fornecer orientações e estratégias que possam potenciar o desenvolvimento da fluência e a diminuição/prevenção do impacto na vida da criança.

Evolução / Prognóstico

A evolução e prognóstico do problema dependem de diversos fatores. No caso de uma criança pequena (2,5 aos 4 anos) que esteja a gaguejar há pouco tempo (menos de 6 meses) poderemos estar perante uma disfluência transitória, isto é, que desaparece de forma espontânea. No entanto, dependerá de fatores de risco para a cronicidade, pelo que a situação deverá ser analisada por um profissional competente.

Prevenção / Recomendações

O encaminhamento para a terapia da fala deverá ser realizado precocemente, de forma a facilitar um diagnóstico diferencial entre disfluência transitória e persistente, bem como prevenir o agravamento da sintomatologia e o impacto na qualidade de vida.

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