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Introdução

Definição

Fractura é uma solução de continuidade de um osso. Muitas vezes denominada por fissura, pode ser de vários tipos, segundo a causa, o mecanismo ou a idade da criança.

O osso da criança pelas suas particularidades anatómicas, que incluem uma cartilagem de crescimento, uma consistência mais porosa devido à existência de um maior número de vasos capilares, e mais elástica, faz com que os tipos de fractura, padrões de cura e métodos de tratamento, sejam muito diferentes dos de um adulto. Para além disso, a existência de um periósteo mais espesso e forte, potencia uma maior estabilidade e capacidade de cura.

Frequência

A estatísticas apontam para uma incidência quase dupla de risco de fractura entre rapazes e raparigas entre dos 2 aos 16 anos podendo chegar até aos 42%.  O trauma é a causa mais frequente e, os ossos mais afectados são o rádio distal, mão, cotovelo, clavícula, diáfise dos ossos do antebraço, diáfise da tíbia, pé e tornozelo, fémur e úmero.

Causa

Consoante a idade da criança, os tipos de fractura que ocorrem variam. Na criança recém-nascida, a fractura obstétrica e os maus tratos devem ser considerados, mas é importante excluir a hipótese de pseudo - paralisia por infecção.

Na criança andante, a queda sobre o membro em extensão é a causa mais frequente, mas em crianças mais velhas, as actividades desportivas e as quedas de bicicleta ou em parques infantis são o principal motivo de ida à urgência hospitalar.

Na criança, as estruturas ligamentares são mais fortes que o osso e assim em vez de uma entorse, será mais provável a existência de uma fractura por arrancamento ósseo.

Sinais e sintomas

A dor localizada, a incapacidade parcial ou completa de usar o membro afectado devem fazer suspeitar a existência de uma fractura, sobretudo se existir história de trauma.

O que fazer

No caso do membro superior, este deverá ser colocado em suspensão com lenço apoiado no pescoço. Em caso de deformidade aparente do antebraço, também poderá ser colocada uma tal improvisada por exemplo com uma revista ou jornal. As fracturas do membro inferior requerem cuidados mais diferenciados e em caso de deformidade aparente do membro, a criança não deverá ser mexida e os cuidados devem prestados por pessoal especializado. Em caso de ferida no local de fractura (fractura exposta), esta deverá sem coberta por compressa esterilizada, ou em caso de impossibilidade por lenço limpo de preferência humedecido em água limpa.

Nunca:

  • Dar qualquer tipo de alimento sólido ou líquido antes de autorizado pelo médico responsável pelo tratamento – o ortopedista.
  • Proceder à mobilização de uma fractura sem ter a certeza do que está a fazer.

Tratamento

Tipos de fractura

Podem definir-se no osso pediátrico longo, três partes:

  • A epífise – na extremidade do osso longo e recoberta de cartilagem articular.
  • Metáfise – zona mais larga junto á epífise, e separada desta pela cartilagem de crescimento.
  • Diáfise – Zona mais estreita e densa entre as epífises

O osso pediátrico é recoberto por uma membrana espessa – o periósteo - que é responsável pelo crescimento e pela remodelação óssea.

Deformidade plástica

É uma deformidade que ocorre por um trauma produzindo uma distração no lado convexo do osso sem chegar ao bordo côncavo e, sem atingir o limiar de fractura. Sem sinais radiológicos directos de fractura, ocorre mais frequentemente no cúbito e perónio e é passível de remodelação em certos limites dependendo da localização. Podem necessitar de correção por manipulação sob anestesia geral.

Fractura toroidal (Torus fracture)

Fractura mais frequente na criança, ocorre por trauma de compressão sobretudo na metáfise distal do rádio e, cura sem sequelas em 3 a 4 semanas com suspensão e imobilização ligeira. Incorrectamente diagnosticada muitas vezes como fractura em ramo verde. (FIG 1)

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Fractura em ramo verde

Fractura incompleta por compressão no bordo côncavo (Deformidade plástica) mas com rotura do bordo convexo.  Pode necessitar de redução sob sedação / anestesia para realinhamento, em que é necessária a produção de uma fractura completa para o conseguir.(FIG 2)

Fractura completa

Transversa – De redução mais fácil por manter mais frequentemente um periósteo intacto

Oblíqua – Mais instáveis, frequentes na região metafisária, requerem redução e frequentemente osteossíntese.

Espiraladas – São produzidas na ausência de trama convencional e por movimento rotatório que ultrapassa a elasticidade do osso longo. São mais frequentes na tíbia, fémur e úmero.

Fracturas na região da cartilagem de crescimento

15% das fracturas em idade pediátrica são deste tipo. Pela compressão ou lesão vascular na região metafiso-epifisária, podem produzir encurtamentos, deformidades ou ambas. (FIG 3)

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Fracturas Obstétricas

As fracturas ocorridas durante o parto são relativamente frequentes sobretudo nos casos de criança em má posição ou de grande tamanho. As mais frequentes são as da clavícula, úmero e fémur, mas podem ocorrer em outros ossos, e geralmente têm um tratamento simples com suspensão, imobilização ligeira ou uso de aparelho. (FIG 4)

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Evolução / Prognóstico

A evolução é rápida, com uma cura completa e sem sequelas na grande parte dos casos.

Prevenção / Recomendações

As crianças devem ser vigiadas nos seus locais de brincadeira, especialmente quando existem aparelhos tipo baloiço, escorrega ou insufláveis.  Bicicletas, Skates e afins, pressupõem o uso de protecções para a cabeça e membros.

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