Menu

Introdução

Definição

O ligamento cruzado anterior (LCA) tem reconhecida importância no funcionamento, estabilidade e biomecânica da articulação do joelho, principalmente nos desportos que requerem movimentos de rotação do joelho.

Esta complexa articulação tem nos ligamentos cruzados o fulcro da sua cinemática. O LCA funciona como estabilizador em todos os movimentos, principalmente na prevenção do movimento de translação da tíbia em relação ao fémur.

Epidemiologia

A ruptura isolada do LCA é uma lesão pouco frequente, porém de grande severidade e ocorre com maior incidência no jovem desportista entre os 20 e os 30 anos, sendo bilateral em cerca de 20% dos casos. Cerca de 70% das roturas acontecem durante a prática de desporto.

No entanto, nos últimos anos (2007-2011) foi observado um aumento significativo das lesões traumáticas do ligamento cruzado anterior na idade pediátrica. A causa para o aumento da incidência de rotura deste ligamento em idade pediátrica é multifactorial, sendo principalmente o crescente número de crianças participantes em desportos de alto rendimento e em faixas etárias cada vez menores.

História Clínica

Anamnese

O mecanismo de lesão mais frequentemente observado é o indireto e consiste na grande tensão do LCA gerada numa situação que combina vários movimentos do joelho. Os desportos mais implicados neste tipo de lesão são o basquetebol, futebol, voleibol e esqui.

Habitualmente estas lesões acompanham-se de dor imediata, sensação de estalido, edema, limitação funcional e sensação de instabilidade do joelho.

Exame objectivo

O exame físico muitas vezes é suficiente para o diagnóstico. Porém, a laxidez ligamentar existente nesta faixa etária pode trazer-nos confusão pelo que a bilateralidade no exame físico deve sempre ser testada.

Exames Complementares

Imagiologia

Apesar do diagnóstico de rotura do LCA ser clínico, as radiografias são úteis para avaliar possíveis lesões ósseas. A ressonância magnética é o método de diagnóstico por imagem mais eficaz.

Tratamento

Para a decisão do tratamento, os factores de risco e as características intrínsecas da criança devem ser analisados e levados em consideração.

Quanto às indicações, a escolha entre o tratamento conservador ou cirúrgico ainda é controversa.

As indicações e as técnicas cirúrgicas utilizadas neste grupo de pacientes devem ser individualizadas, uma vez que estes pacientes possuem características anatómicas particulares, especialmente em relação à placa fisária e possíveis complicações relacionadas, como dismetrias e alterações angulares do membro inferior.

Cirurgia

O tratamento das lesões do LCA continua a ser um desafio ao cirurgião ortopédico, uma vez que, independentemente do sucesso do procedimento cirúrgico, os resultados continuam a ser considerados insatisfatórios.

As técnicas cirúrgicas são variadas e a decisão deve levar em consideração o potencial de crescimento da criança.

Para doentes esqueleticamente mais imaturos, adoptam-se técnicas que não provoquem lesões das cartilagens de crescimento para evitar possíveis sequelas. Doentes com pouco potencial de crescimento podem ser tratados cirurgicamente como adultos, porém com algumas singularidades quanto à técnica.

Evolução

A ligamentoplastia do LCA apresenta uma incidência de 21% de re-rotura em pacientes jovens (idade inferior a 25 anos) e 23% em atletas jovens que retornam à atividade desportiva.

Apesar dos crescentes avanços nas técnicas e dispositivos relacionados com a ligamentoplastia do LCA, o resultado final a longo prazo ainda resulta num joelho com cinemática anormal e a osteoartrose ainda é um desfecho frequentemente encontrado.

Independentemente das técnicas cirúrgicas utilizadas, podem ser observados discrepância de crescimento dos membros e desvios no alinhamento dos joelhos, sendo a causa ainda pouco compreendida.

Pacientes e familiares devem sempre ter em mente que o objectivo principal do tratamento é a preservação articular a longo prazo e não o regresso ao desporto. Este factor deve ser considerado secundário e as expectativas devem ser realistas quanto aos resultados funcionais.

Recomendações

Os programas preventivos demonstram ser o método mais eficaz e económico para evitar uma lesão primária.

Bibliografia

  1. Noyes F. Noyes’ knee disorders: surgery, rehabilitation, clinical outcomes. 2nd Edition Philadelphia: Elsevier; 2017.
  2. Duarte H., Andrade R. and Espregueira-Mendes J.. Lesões do ligamento cruzado anterior. Tratamento (O que mudou?) In: Espregueira-Mendes J, Pessoa P. O Joelho. 2ª Edição Lisboa: LIDEL; 2019.

Deseja sugerir alguma alteração para este artigo?
Existe algum tema que queira ver na Pedipedia?

Envie as suas sugestões

Newsletter

Receba notícias da Pedipedia no seu e-mail