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Introdução

Introdução

A vacinação é uma medida de saúde pública prioritária. Um dos avanços mais marcantes em pediatria foi o declínio de algumas doenças infecciosas relacionadas com o uso generalizado de vacinas.

Todos os programas de vacinação são universais e promovem a equidade, proporcionam igualdade de oportunidade, protegem a saúde, previnem as doenças. A vacinação requer uma responsabilidade individual e colectiva de forma a trazer benefícios a todos os indivíduos. O objetivo final é eliminar, controlar ou minimizar o impacto da doença na comunidade, sendo necessário que a percentagem de indivíduos vacinados na população seja a mais elevada possível.

O acesso à vacinação é um direito fundamental.

A Organização Mundial de Saúde (2010) apresenta sete razões para a vacinação, a saber:

  • as vacinas salvam vidas;
  • a vacinação é um direito básico e uma estratégia de combate à pobreza;
  • os surtos de doença evitáveis pela vacinação são, ainda, uma ameaça para todos;
  • as doenças podem ser controladas e eliminadas pela vacinação;
  • os custos económicos das vacinas compensam largamente os custos associados ao tratamento das doenças;
  • as crianças dependem do sistema de saúde dos respetivos países onde vivem para terem acesso à vacinação gratuita, segura e efectiva;
  • consequentemente, todas as crianças devem ser vacinadas.

Também a National Foundation for Infectious Diseases (2019) apresenta motivos para a vacinação, acrescentando que até as crianças e jovens saudáveis podem ficar doentes, transmitindo a doença aos familiares e amigos; as vacinas são a diferença entre a vida e a morte e as vacinas são consideradas tão importantes como uma dieta saudável e uma atividade física regular.

Definição

Comecemos por apresentar a definição de algumas palavras chave, como imunização, vacinação, vacina, imunidade e imunidade de grupo.

A imunização é o processo de induzir ou fornecer artificialmente imunidade pela administração de um antigénio, de modo a estimular a formação de anticorpos. Por vezes, os termos imunização e vacinação são utilizados como sinónimos, mas não são, pois, a administração de uma vacina não garante automaticamente a imunidade adequada.

A vacinação é o ato físico de administração de qualquer vacina.

A vacina é uma suspensão de microrganismos vivos (geralmente atenuados) ou inativados ou frações de microrganismos administrados para induzir imunidade e prevenir uma doença infecciosa ou as suas sequelas. As vacinas administradas têm um elevado grau de segurança, eficácia e qualidade.

A imunidade é um estado herdado ou adquirido no qual um individuo é resistente à ocorrência ou aos efeitos de uma doença específica, particularmente de um agente infeccioso.

A imunidade de grupo é uma condição na qual a maioria da população da comunidade está vacinada ou já teve a doença e a propagação de certas doenças é impedida, uma vez que a população que foi vacinada ou teve a doença protege aqueles, que na mesma população, não foram vacinados.

Deste modo, uma elevada cobertura vacinal permite imunizar quem é vacinado, mas também evitar a propagação de doenças, uma vez que a imunidade de grupo impede a circulação de agentes patogénicos.

De acordo com programa de vacinação de cada país, o primeiro ano de vida é a idade de maior vulnerabilidade requerendo imunização precoce, para evitar doenças, que podem ser graves.

O que fazer

Os calendários vacinais são diferentes em cada país e têm em consideração a realidade local das doenças, pelo que é de recomendado que siga o esquema do país onde reside ou vai residir, em caso de viagem.

Em Portugal, o esquema nacional de vacinação prevê a imunização precoce – nos primeiros 12 meses de vida – contra 11 doenças graves, nomeadamente:

  • Hepatite B
  • Difteria
  • Tétano
  • Tosse convulsa
  • Haemophilus influenza
  • Poliomielite
  • Streptococcus pneumoniae
  • Neisseria meningites
  • Sarampo
  • Parotidite
  • Rubéola

Até aos 10 anos, dão-se reforços (segundas e terceiras doses das vacinas citadas), sendo que até aos seis anos é recomendado administrar a vacina contra a tuberculose em crianças em grupos de risco.

A partir dos 10 anos e ao longo da vida, além de continuar a ser obrigatório fazer reforços de algumas destas vacinas, para manter a imunidade, deve ainda ser administrada:

  • Vírus do papiloma humano (HPV) – administra-se a vacina contra o vírus do papiloma humano às raparigas e será iniciada a vacinação contra o vírus do papiloma humano aos rapazes com a mesma idade.
  • Rotavírus – vai ser proposta a vacinação a crianças com critérios de risco definidos pela Direcção Geral de Saúde portuguesa.

A maior preocupação dos pais dirige-se para o procedimento doloroso da vacinação. Na verdade, existe um desconforto associado à injecção, que, muitas vezes, é aliviado com a implementação de técnicas de distração adequadas à idade e capacidade de compreensão da criança e que são sugeridas pelo enfermeiro da instituição de saúde. A finalidade desta atuação é desviar o foco da atenção do procedimento doloroso e pode ser utilizada a amamentação, o colo, o embalo, a música, o jogo, o vídeo, garantindo sempre a presença dos pais ou pessoa significativa no campo de visão da criança, caso estes manifestem esse interesse.

Após a vacinação, os efeitos secundários que podem surgir são ligeiros e desaparecem sem ser necessário um tratamento farmacológico. Os efeitos que ocorrem mais frequentemente são dor no local de administração, rubor, calor (aumento da temperatura) e edema, bem como cefaleias. Os enfermeiros recomendam sempre que se aguarde 30 minutos nas instituições de saúde, após administração da vacina, com o objetivo de despistar alguma complicação.

Se, por algum motivo, se esqueceu ou foi impossível dirigir-se à instituição de saúde para administração de vacinas, de acordo com o esquema recomendado no país ou estado onde reside, deve fazê-lo assim que for oportuno, mesmo que o prazo tenha sido ultrapassado. É crucial ter consigo o boletim individual de vacinas da criança, de modo a registar as vacinas administradas.

Prevenção / Recomendações

Realça-se a especial atenção para os seguintes mitos ou ideias relativas à vacinação:

A ideia de que administração de vacinas combinadas pode sobrecarregar o sistema imunitário da criança é errada, pois todas as vacinas foram submetidas a um controlo rigoroso sobre os efeitos secundários e níveis de imunogenicidade após a administração;

A informação amplamente difundida na internet e outros meios de comunicação sobre as vacinas pode ser incompleta, incorrecta e enganadora, pelo que se sugere sempre a pesquisa em sites fidedignos, como por exemplo o site da Direção Geral de Saúde de cada país;

A contraindicação para todas as imunizações é apenas um estado febril grave, porque estamos a evitar juntar o risco de efeitos secundários adversos da vacina a uma criança já doente ou identificar erroneamente um sintoma de doença, como estando relacionado com a vacina;

A amamentação não é contraindicação para nenhuma vacina;

A vacina do sarampo, rubéola e parotidite não causa perturbação do espectro do autismo;

As vacinas são seguras e eficazes pelo que não causam reacções adversas graves, doenças e morte;

As doenças evitáveis pela vacinação estão praticamente eliminadas, pelo que é imperioso que os pais vacinem os seus filhos, promovendo a sua proteção individual, mas também a proteção da comunidade;

A administração simultânea de vacinas na idade recomendada pelo esquema vacinal de cada país não aumenta o risco de efeitos adversos. Então o atraso de vacinas, a pedido dos pais poderá conduzir ao aumento de vulnerabilidade do filho a essa doença.

Idealmente deve-se cumprir o esquema recomendado para cada idade da criança, conferindo proteção o mais precocemente possível.

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