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Introdução

Definição

A DM1 é uma doença caracterizada por hiperglicemia (aumento da glicose/açúcar no sangue) por falta de insulina devido à destruição das células beta do pâncreas pelo sistema imunitário, em crianças, adolescentes e adultos jovens com predisposição genética.1

Frequência

Em 2017, a incidência mundial anual estimada de DM1 em crianças e adolescentes (0-19 anos) é de 1564.8/100.000 habitantes e varia entre países, continentes e grupos étnicos.2 Nas últimas décadas houve um aumento da incidência de DM1 a nível mundial, sobretudo em crianças com menos de 5 anos e nos países em vias de desenvolvimento.1

Em Portugal, no ano de 2015 estima-se que surgiram 11.5 novos casos de DM1 por cada 100.000 habitantes dos 0-19 anos e que DM1 atingia 3327 indivíduos nesta faixa etária.

Sinais e sintomas

Os principais sintomas de diabetes resultam da hiperglicemia, da tentativa do organismo de eliminar glicose do sangue e da incapacidade do organismo obter energia através da glicose. Os sintomas mais frequentes são urinar muito de dia e de noite (acordar para urinar ou voltar a “fazer xixi na cama”), ter muita sede, aumento do apetite mas paradoxalmente emagrecer, sentir falta de forças e visão turva. Outros sintomas/sinais possíveis são: irritabilidade, diminuição do rendimento escolar, infecções fúngicas ou cutâneas recorrentes.

Numa fase mais avançada da doença  além dos sintomas descritos, associam-se sinais e sintomas secundários a presença de corpos cetónicos (substâncias tóxicas que se formam quando o organismo, na impossibilidade de usar glicose por falta de insulina,  utiliza lípidos/gordura ou proteínas como forma de obter energia) em circulação: dores de cabeça, hálito cetónico (cheiro a maças verdes), vómitos, dor abdominal, secura da língua/mucosas e olhos encovados, respiração acelerada e alterações do estado de consciência (confusão mental, coma)

O que fazer

Na presença de sintomas sugestivos de DM deve efectuar-se determinação da glicemia capilar com a maior brevidade possível. Se a glicemia for superior a 200mg/dl (ou > 126 mg/dl após jejum de 8 horas) os cuidadores devem dirigir-se imediatamente com a criança/adolescente a um serviço de urgência para confirmação através de análises de sangue mais específicas e inicio imediato de terapêutica com insulina. Na suspeita de diabetes não se deve ficar à espera do resultado de análises (muitas vezes só disponíveis no dia seguinte), porque na fase inicial quanto mas precoce o diagnóstico menor a probabilidade de complicações agudas graves como a cetoacidose e o coma.

Tratamento

Actualmente não existe cura para a DM1 pelo que a vida destas crianças e adolescentes depende da administração diária de insulina. A insulina tem de ser administrada por injecção subcutânea porque é destruída pelo ácido clorídrico no estômago. Os pais/cuidadores e a criança/adolescente têm de fazer várias determinações diárias da glicémia capilar (habitualmente nos dedos das mãos) e administrar insulina a cada refeição com canetas de insulina (habitualmente no abdomen) ou através de sistemas de perfusão contínua (“bombas de insulina”). A dose de insulina a administrar varia de acordo com a hora do dia, os hidratos de carbono ingeridos e a actividade física. É necessário que o doente e família sejam cuidadosamente ensinados pela equipa técnica sobre a forma correta de efectuar todos os passos acima descritos de modo a atingir o objectivo da terapêutica que é o bom controlo metabólico. Este tipo de tratamento é denominado tratamento intensivo e tem por objectivo diminuir o risco de complicações agudas (hipoglicemia, cetoacidose) ou tardias da doença (cardiovasculares, renais, oculares e sistema nervoso). É um tratamento com resultados visíveis na saúde, bem-estar e qualidade de vida das crianças/adolescentes mas é exigente requerendo rigor e amor dos cuidadores (pois a tarefa difícil de “dar a injecção” a um filho/neto/enteado/… deve ser encarada como um ato de amor supremo que lhe permite viver). Os avanços tecnológicos (bombas de insulina e monitorização contínua da glicose) têm permitido que o tratamento se torne mais fisiológico enquanto se aguarda pelo próximo passo que é a existência de um “pâncreas artificial”.

Evolução / Prognóstico

A hiperglicemia cronica associa-se a complicações no olho, rim, nervos, vasos e coração. A possibilidade de as ter aumenta com o tabagismo, a hipertensão arterial e com os níveis elevados de gordura no sangue. A retinopatia e a nefropatia diabéticas são as principais causas de cegueira adquirida e doença renal terminal, respectivamente. Estas complicações devem ser rastreadas porque é possível parar ou retardar a sua progressão.

A insulinoterapia intensiva permite um bom controlo metabólico (HbA1c < 7.5%) e diminui o risco de complicações da DM1.

Prevenção / Recomendações

A terapêutica da DM1 é complexa, exigente e o seu sucesso determina o bem estar a longo prazo. A criança/adolescente e família devem contar com a sua equipa técnica (médico, enfermeiro, nutricionista) para os ensinar a gerir o tratamento no seu dia-a-dia.

O apoio psicológico é importante na fase inicial e, também, ao longo dos anos devido aos desafios que surgem na adaptação à doença nas diferentes fases da vida.

Presentemente não é possível prevenir a DM1 porque a causa não está totalmente esclarecida. Por isso, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos aos sintomas e sinais da DM1 para que se faça o diagnóstico rapidamente e se previna a cetoacidose e o coma.

Saber Mais

  1. ISPAD Clinical Consensus Guidelines 2014
  2. International Diabetes Federation. IDF Diabetes Atlas 8th edition. http://www.diabetesatlas.org/across-the-globe.html 2017
  3. Diabetes: factos e números 2015 – Relatório anual do observatório nacional da diabetes 12/2016. Sociedade Portuguesa de Diabetologia.

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