Introdução
A alergia ao ovo de galinha ocorre quando o ovo é reconhecido como estranho levando ao desenvolvimento de uma resposta imunológica anormal em que na maioria das vezes há produção de imunoglobulinas E (IgE).
Frequência
Esta alergia é a segunda alergia alimentar mais comum (a primeira é ao leite de vaca) e tem uma prevalência que varia entre 1.6-2.5%.
Causa
É causada por uma reacção do sistema imunitário após contacto com ovo através da sua ingestão e/ou contacto cutâneo (tocar no ovo ou nas cascas) e/ou após inalação de partículas libertadas aquando da sua confecção. Estas reações são habitualmente rápidas e desencadeiam sintomas em minutos ou horas.
A temperatura tem um papel importante na alergia ao ovo porque neutraliza certos alergénios. Sendo assim, algumas crianças podem ter alergia a todas as formas de ovo (cozido, assado ou cru), enquanto outras podem apenas ter alergia ao ovo cru.
Sinais e sintomas
Habitualmente os sintomas têm um início rápido e incluem manchas com relevo na pele que podem dar comichão, inchaço da face, boca ou olhos, enjoos e vómitos e em casos graves, sintomas respiratórios como tosse, falta e ar e respiração ruidosa (som agudo ao inspirar – estridor).
O que fazer
Num episódio inaugural, logo que surjam quaisquer destes sintomas, a criança deverá ser observada por um profissional de saúde no serviço de urgência.
Nos casos em que existe suspeita de alergia ao ovo ou quando a alergia já é conhecida e ocorre uma ingestão acidental, é necessário que os pais averiguem a gravidade dos sintomas:
- Se os sintomas forem ligeiros e apenas atingirem a pele, deve ser administrado anti-histamínico e o corticóide oral. A criança deverá manter vigilância até resolução dos mesmos.
- Se os sintomas forem mais graves, com acometimento de outros sistemas para além da pele (por exemplo, a criança apresentar manchas e vómitos e/ou tosse, falta de ar ou respiração ruidosa) é importante administrar em primeiro lugar a caneta de adrenalina. Nestes casos, as crianças devem ser observadas por um profissional de saúde no serviço de urgência.
Tratamento
O pilar essencial no tratamento é a evicção do alimento causador da reação alérgica.
Para evitar os contactos acidentais é necessário ler atentamente os rótulos dos produtos alimentares.
Consoante a indicação médica pode ser prescrito um anti-histamínico e um corticóide oral. Em casos graves de anafilaxia, o médico deve prescrever a caneta de adrenalina e realizar o treino da sua administração.
Na consulta também é feita a identificação da criança com alergia e redigido um documento explicativo com informação para a escola e outros locais que a criança frequente.
Evolução / Prognóstico
O prognóstico é favorável sendo que a maioria das crianças atinge tolerância ao ovo nos primeiros anos de vida.
Estima-se que de 7 em cada 10 crianças com alergia ao ovo consiga vir a tolera-lo. Aos 2 anos de vida, cerca de 20% dos alérgicos já tolera o ovo, aos 3 anos, entre 30-35% e aos 5 anos cerca de metade das crianças alérgicas já não manifesta a alergia.
Mais tarde, a evolução é mais lenta e alcança os 75% de crianças curadas pelos 9 anos de vida.
A boa evolução depende de vários fatores como a idade de início dos sintomas, o nível e tipo de alergénios identificados e o tipo de sintomas.
Só após um período variável em que não existiu contacto com o ovo, não houveram reações alérgicas e as análises e/ou testes cutâneos demonstram níveis mais baixos de sensibilização, é que se pode ponderar a reintrodução deste alimento. Este contacto deve ser feito em contexto hospitalar.
Prevenção / Recomendações
A ingestão de um alimento que tenha contactado com o ovo pode ser suficiente para desencadear uma reacção alérgica.
Crianças com suspeita de alergia ou alergia ao ovo confirmada devem evitar ovo. Só assim impedem o desenvolvimento da reação alérgica e consequentemente de sintomas. Só após indicação médica é que este alimento deverá ser reintroduzido.
As crianças com alergia devem ter o seu kit de emergência acessível e toda a família e cuidadores deverá saber manusear a caneta de adrenalina.
Na cozinha, nos restaurantes e até em ambiente escolar existe sempre um maior risco de contaminação quando se manuseiam vários alimentos. Sendo assim, é necessário manter uma correcta lavagem das mãos e das superfícies bem como utilizar talheres pratos e recipientes diferentes para que não exista contacto entre os restantes alimentos e o ovo.
A vacina contra o sarampo, rubéola e parotidite (VASPR), a vacina contra a gripe e a vacina contra a febre amarela contêm proteínas do ovo em reduzida quantidade. Sendo assim, nos casos de alergia ao ovo comprovada deve avisar o médico para que seja avaliada a necessidade de realizar estas vacinas em contexto hospitalar.
Saber Mais
Alergia alimentar, ovo, anafilaxia
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