Menu

Introdução

Definição

A taquipneia transitória do recém-nascido (TTRN) é uma patologia benigna e autolimitada que resulta de edema pulmonar secundário ao atraso na depuração do líquido alveolar.(1-4)

Epidemiologia

É a causa mais comum de síndrome de dificuldade respiratória perinatal e a sua incidência varia entre 4 a 11 casos por cada 1000 nados vivos.(1)

Os fatores de risco incluem o sexo masculino, o parto por cesariana, a ausência de trabalho de parto, a prematuridade, o RN grande ou leve para a idade gestacional, a gravidez múltipla, as nulíparas, a asfixia perinatal, a mãe com asma ou diabetes e exposição a drogas  ou fármacos.(1-3)

História Clínica

Anamnese

Os sintomas surgem minutos a horas após o nascimento e geralmente desaparecem em 3 a 5 dias.(1,3)  

Exame objectivo

Os RN apresentam taquipneia (superior a 60cpm, podendo atingir 100 a 120cpm), gemido, adejo nasal e retração costal. A cianose é pouco comum, mas quando está presente é geralmente ligeira e, por vezes, com necessidade de oxigénio suplementar inferior a 0.4.(1,3) Podem apresentar aumento do diâmetro ântero-posterior do tórax por hiperinsuflação, auscultação pulmonar com diminuição dos sons respiratórios e crepitações, fígado e baço palpáveis devido à hiperinsuflação. Alguns RN podem apresentar edema ou taquicardia com pressão arterial normal. Geralmente não existem sinais de sépsis.(1,3)

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico de TTRN é de exclusão. Se os sintomas persistirem para além de 72h, outras causas devem ser estudadas (tabela 1).(1-3)

Tabela 1. Diagnósticos diferenciais de TTRN por aparelhos e sistemas

Respiratório

  • Pneumonia
  • Síndrome de aspiração (mecónio, sangue, líquido amniótico)
  • Ar ectópico (pneumotórax, pneumomediastino, enfisema intersticial)
  • Malformações (hipoplasia pulmonar primária, malformação adenomatóide cística, enfisema lobar congénito)
  • Doença das membranas hialinas

Infeccioso

  • Sépsis com ou sem meningite

Cardiovascular

  • Cardiopatia congénita
  • Hipertensão pulmonar persistente
  • Hipotensão
  • Hipovolémia

Gastrointestinal

  • Hérnia diafragmática congénita

Sistema Nervoso Central

  • Hemorragia intracraneana
  • Encefalopatia hipóxico-isquémica
  • Síndromes epileptiformes
  • Doenças neuromusculares

Hematológico

  • Policitemia
  • Anemia

Metabólico

  • Hipo/hipertermia
  • Hipoglicemia
  • Hipocalcemia
  • Acidose metabólica
  • Meta-hemoglobinemia
  • Depressão respiratória induzida por opiáceos

Exames Complementares

Patologia Clínica

A gasometria pode apresentar hipoxémia ligeira a moderada e PaCO2 normal (devido à taquipneia). A presença de acidose respiratória ligeira pode ser um sinal de fadiga e insuficiência respiratória ou de complicações, nomeadamente pneumotórax. O leucograma apresenta contagem diferencial normal.

O teste da hiperóxia pode ser útil nos RN com hipoxémia quando existe suspeita de cardiopatia.(1-3)

Imagiologia

A radiografia do tórax revela hiperinsuflação dos pulmões, proeminência perihilar (secundária ao ingurgitamento dos linfáticos periarteriais), fluído pulmonar e fluído nas fissuras interlobares (mais comum na fissura horizontal), cardiomegalia ligeira a moderada e aplanamento do diafragma.(1) Atelectasia ou derrame pleural podem ocorrer.(2) A ecografia pulmonar revela o "double lung point".(1)

Tratamento

O tratamento da TTRN é de suporte e inclui oxigenoterapia, ventilação não invasiva ou invasiva e surfactante exógeno nos casos mais graves. Alguns RN iniciam antibioticoterapia (ampicilina e gentamicina) até o diagnóstico de sépsis ser excluído.(1,2,4) A alimentação varia de acordo com a gravidade sendo preconizada a alimentação oral se FR <60cpm, alimentação por sonda gástrica se FR 60-80 cpm, e fluidoterapia endovenosa / nutrição parentérica se FR >80 cpm.(1)

Os diuréticos não estão recomendados.(1-4)

Evolução

A TTRN é geralmente autolimitada e tem a duração de 2 a 5 dias. Podem surgir complicações como insuficiência respiratória com necessidade de ventilação mecânica, pneumotórax ou pneumomediastino (maior risco nos RN em ventilação não invasiva) e hipertensão pulmonar.(1)

Pode estar associada a sibilância na infância e, eventualmente, asma.(1,2)

Recomendações

A cesariana eletiva deve ser protelada para depois das 39 semanas, ou após início espontâneo do trabalho, pois diminui o risco de TTRN.(1-4) Em casos de cesariana eletiva antes das 39 semanas considerar a realização de maturação pulmonar com corticóides.(4)

Bibliografia

  1. Gomella T. Neonatology – Management, Procedures, On-Call problems, Diseases and Drugs. Transient Tachypnea of the Newborn. McGraw Hill. 7th edition. Pp 919-925.
  2. Fanaroff A, Martin R and Walsh M. Neonatal-Perinatal Medicine – Diseases of the Fetus and Infant. Transient Tachypnea of the Newborn. Elsevier. 10th edition.  Pp 1127-1128.
  3. Hagen E, Chu A, Lew C. Transient Tachypnea of the Newborn. Neoreviews. 18(3) 2017.
  4. Siva Subramanian KN. Transient Tachypnea of the Newborn. https://emedicine.medscape.com/article/976914-overview Updated: Jun 10, 2014. (consultado em 02-02-2018).

Deseja sugerir alguma alteração para este artigo?
Existe algum tema que queira ver na Pedipedia?

Envie as suas sugestões

Newsletter

Receba notícias da Pedipedia no seu e-mail