Tétano
Introdução
Definição
O tétano é uma doença infecciosa aguda, potencialmente mortal, causada por uma bactéria chamada Clostridium tetani, que provoca um estado de hiperexcitabilidade do Sistema Nervoso.
Causa
A bactéria pode sobreviver no meio ambiente por vários anos.
Encontra-se no solo, nas ferrugens e nas fezes de animais e de seres humanos.
É altamente resistente às temperaturas altas ou baixas, humidade e substâncias químicas como etanol, fenol e formol.
Pode germinar em ambientes desprovidos ou com baixo teor de oxigénio, como feridas contaminadas, tecidos necrosados, abcessos, gangrenas, queimaduras, ouvido infectado, corpos estranhos, lesões oculares, boca em mau estado e em abortos, partos e cirurgias efectuados sem as condições de higiene recomendadas.
A ausência de ferimento não exclui o diagnóstico de tétano.
Tem distribuição mundial mas é mais comum nos climas quentes e durante os meses mais quentes.
Não passa de pessoa para pessoa.
O período que decorre entre a contaminação e o aparecimento dos primeiros sintomas é geralmente 2 a 14 dias mas pode ser de alguns meses. O período mais curto está associado à maior área contaminada, maior gravidade da doença e a pior prognóstico.
A taxa de mortalidade global é de 30-50% e no idoso excede os 50%.
O tétano do recém-nascido é responsável por cerca de 50% dos casos em todo mundo e tem uma taxa de mortalidade de 90%.
Sinais e sintomas
Dificuldade em abrir a boca, devido à rigidez do masséter (músculo que faz mover o maxilar inferior na mastigação), é geralmente o primeiro sintoma.
Quando a doença progride, outros grupos musculares tornam-se rígidos, dando origem ao riso sardónico característico do tétano, dificuldade respiratória e de deglutição, rigidez dos membros e finalmente rigidez extrema de todo de todo o corpo, o designado opistótono.
Nos casos mais graves da doença estão presentes os espasmos, que são reflexo da rigidez exagerada, desencadeados por estímulos luminosos, sonoros, manipulação e emoções, ou de aparecimento espontâneo. Podem ser breves ou muito longos e dolorosos.
Pode surgir morte por asfixia nos casos de espasmo da laringe ou por insuficiência respiratória grave devido a espasmos prolongados dos músculos do tórax.
Febre e graves alterações cardíacas estão também presentes nos casos graves.
O tétano do recém-nascido apresenta-se como incapacidade para mamar entre o terceiro e o décimo dia de vida, após um período em que a amamentação foi normal. A situação rapidamente progride para rigidez extrema, espasmos, convulsões e, frequentemente, morte.
Quando se deve pensar em tétano
Em ambientes e circunstâncias propícias à contaminação pela bactéria do tétano, uma rigidez inexplicada num paciente deve fazer pensar na possibilidade de se estar perante a doença.
Ter presente que não é necessária a presença de ferida e que no recém-nascido o primeiro sintoma pode apenas ser dificuldade em mamar.
A constatação de vacinação ausente ou incompleta, história de traumatismo, ou de parto ou de cirurgia efectuados sem os requisitos recomendados, reforçam a convicção, mas não são determinantes no raciocínio.
Situações que se podem confundir com Tétano
- Intoxicação por estricnina – não causa contracção das maxilas.
- Distúrbios convulsivos ou estado de mal epiléptico – podem ter semelhanças com o tétano. Porém, as “convulsões” do tétano são extremamente dolorosas e não conduzem à perda de consciência.
- Inflamações da boca e faringe
- Efeitos de medicamentos como fenotiazinas e metoclopramida
- Encefalites virais, incluindo raiva
- Meningite
- Baixa de magnésio ou de cálcio na circulação sanguínea.
O que fazer
O reconhecimento precoce da doença e o tratamento agressivo são essenciais para assegurar um resultado satisfatório.
O paciente deve ser internado em unidade hospitalar com as melhores condições possíveis.
Evolução / Prognóstico
Sem tratamento o paciente geralmente morre passados alguns dias.
Com tratamento adequado, que é sempre muito difícil, a doença pode progredir durante 2 semanas e a recuperação acontecer cerca de um mês depois.
Prevenção / Recomendações
Atendendo a que existe vacina eficaz o plano de vacinação deve ser cumprido com rigor, desde os primeiros meses de vida, se possível:
- imunização primária - aos 2, 4, 6 meses e aos 15-18 meses
- reforços – o primeiro aos 5 anos, depois aos 10 anos, aos 25 anos, aos 45 anos, aos 65 anos de idade e os seguintes de 10 em 10 anos.
Tratar as feridas sempre com as normas de assepsia estabelecidas.
Proporcionar partos e cirurgias com os cuidados recomendados.
Ter presente que nos indivíduos não vacinados o tétano pode repetir-se.
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