Hérnia epigástrica
Introdução
Definição
Protusão do conteúdo abdominal através de um defeito mediano supra umbilical.
Existe um defeito a nível do entrecruzamento na linha média de fibras musculares dos músculos abdominais e do diafragma. A origem parece estar numa fraqueza no ponto de travessia da fáscia pelos vasos parietais.

Epidemiologia
Surge em aproximadamente 1% das crianças. Pode ser múltipla, existindo um predomínio do sexo masculino 3:1.
História Clínica
Anamnese
Trata-se na grande maioria das vezes de um achado fortuito, descoberto pelos pais ou pelo médico ao palpar a linha branca. Raramente provoca queixas dolorosas, podendo ocorrer dor abdominal geralmente pós-prandial recorrente.
Exame objectivo
Observa-se em qualquer ponto da linha branca, um (ou mais) pequeno nódulo, de diâmetro geralmente inferior a dois centímetros, irredutível, cuja palpação provoca desconforto local. O exame pode ser facilitado pelo aumento de pressão abdominal, observando o doente em pé, ou pedindo-lhe que tussa.
Diagnóstico Diferencial
O diagnóstico é clínico. O diagnóstico diferencial faz-se com a diástase dos músculos rectos abdominais, variante do normal sem indicação terapêutica.
Tratamento
Cirurgia
O tratamento é cirúrgico. A cirurgia é feita em regime ambulatório, e consiste numa incisão transversal, excisão/ redução do saco herniário e seu conteúdo e encerramento aponevrótico, eventualmente em dupla sobreposição. Um dado importante é a necessidade de marcação pré-anestésica precisa do local da hérnia (com o doente anestesiado pode ser difícil identificar com precisão o local do defeito herniário).
Não havendo queixas dolorosas espontâneas, a cirurgia não é urgente, pelo que se aconselha a protelar a intervenção, e tentar realizá-la em simultâneo com outra intervenção cirúrgica eventualmente necessária (circuncisão, herniorrafia, amigdalectomia/ adenoidectomia, etc.).
Evolução
Bom, a cirurgia é curativa.
Recomendações
A prática de compressão com "moedas ou botões" não beneficia a situação e pode provocar dor local, pelo que são de evitar.
Os pais devem estar a par do risco de encarceramento e estrangulamento (muito raros).
Após a operação, a criança retoma a sua vida activa aos sete dias, e a prática de desporto aos 15 dias. Deve evitar desportos de contacto durante um mês.
Glossário
Engasgada/ encarcerada: diz-se de hérnia cujo conteúdo é dificilmente reductível.
Estrangulada: diz-se de hérnia em que existe comprometimento de vascularização do(s) órgão herniado
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