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Introdução

Definição

Entidade clínica definida pela presença de um hemi-escroto ou escroto edemaciado, eritematoso e/ou com dor espontânea e à palpação

Epidemiologia

Constitui a urgência urológica mais comum na idade pediátrica sendo inúmeras as suas causas como abaixo indicamos

História Clínica

Depende da patologia subjacente ao escroto agudo.

A torção testicular é a mais emergente, e caracteriza-se por dor de início súbito localizada a um testículo, que rapidamente irradia para a região inguinal e quadrantes inferiores do abdómen, podendo acompanhar-se de vómitos. A dor agrava-se sempre com o tempo, não havendo nunca verdadeiro alívio. Esta sintomatologia dolorosa pode acompanhar-se de sinais gerais como náuseas, vómitos, e mal-estar geral. O testículo aumenta rapidamente de volume, e a pele escrotal torna-se vermelha e edematosa, com hiperestesia intensa. O cordão espermático está espessado, ao mesmo tempo que a palpação e a elevação do testículo desperta uma dor muito intensa. Deve também ter-se presente a possibilidade de torção de testículo não descido, que se pode manifestar por dor intensa inguinal com massa palpável e escroto vazio; ou dor abdominal nos quadrantes inferiores do abdómen ou flanco homolateral. O testículo pode sofrer torções incompletas repetidas, que se manifestam como dor intensa que passa espontaneamente com repouso, acompanhada de aumento de volume testicular, constituindo uma torção recorrente. A torção completa do testículo é uma verdadeira emergência, já que após seis horas de anóxia o testículo entra num processo irreversível de atrofia parcial ou total.

A epididimite caracteriza-se por uma dor menos intensa, localizada ao epidídimo. Consegue palpar-se frequentemente um testículo de volume normal e quase indolor na bolsa escrotal, e a elevação do testículo provoca alivio discreto da dor. O diagnóstico é facilitado quando ocorre simultaneamente com infecção urinária.

A hérnia inguino-escrotal pode constituir um diagnóstico diferencial difícil. As queixas são mais de carácter abdominal ou digestivo, sobrepondo-se eventualmente uma situação de sub-oclusão intestinal

A torção de apêndice testicular (hidátide de Morgagni, órgão de Giraldez ou outro) produz queixas dolorosas intensa, mas consegue localizar-se frequentemente a uma pequena massa justa-testicular, que transiluminada aparece como uma pequena mancha escura.

A orquite ocorre mais frequentemente como consequência de parotidite epidémica, e o testículo está doloroso e aumentado de volume. A dor é suportável, e o cordão espermático está livre.

A neoplasia pode ser causa de dor intensa, se houve um aumento muito rápido do tamanho do testículo. Contudo a dor não é muito intensa, o cordão espermático está livre, e a pele escrotal não está alterada.

O edema agudo idiopático caracteriza-se pelo espessamento da pele escrotal, que se apresenta dolorosa e avermelhada. A dor é ligeira, e estes sintomas podem estender-se a todo o escroto e eventualmente ao períneo.  

Diagnóstico Diferencial

O testículo na maioria dos casos aumenta rapidamente de volume, e a pele escrotal torna-se vermelha e edematosa, com hiperestesia intensa. O cordão espermático está espessado, ao mesmo tempo que a palpação e a elevação do testículo desperta uma dor muito intensa

A transiluminação com uma simples lanterna permite caracterizar o conteúdo escrotal.

Exames Complementares

Patologia Clínica

Pode observar-se leucocitose com neutrofilia e elevação d PCR ou da VS

Imagiologia

Ecografia convencional define a estrutura e ecogenicidade da massa escrotal e permite caracterizar líquido intra-escrotal.

Eco-doppler é valorizável quando se consegue demonstrar a existência de circulação arterial para o testículo, embora a sua ausência não constitua prova definitiva de torção testicular

Tratamento

Cirurgia

É uma emergência cirúrgica, quando o diagnóstico de torção testicular não pode ser excluído com segurança. Mesmo a torção testicular recorrente deve ser operada electivamente ou em crise, para evitar perda definitiva do órgão.

A orquidectomia está indicada em caso de não viabilidade testicular. Esta medida tende a minorar os efeitos auto imunes sobre o testículo contralateral, que consistem em diminuição da espermatogénese.

Antibioterapia

No caso da orquite ou da epididimite torna-se necessário o estabelecimento de antibioterapia durante pelo menos 10 dias devendo manter uma vigilância apertada do doente, pois o próprio processo inflamatório com aumento do volume do testículo pode ser causa de torção

Evolução

Depende da patologia subjacente. Quando se trata de torção testicular, há uma correlação estreita entre o tempo que vai do início dos sintomas até à sua correcção cirúrgica e a recuperação final do testículo. Sabe-se que um período de torção de apenas quatro horas pode ser suficiente para determinar discreta atrofia testicular, sendo certo que após seis horas de isquémia a recuperação pode corresponder apenas a lesões irreversíveis da função testicular.

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